A variação de preços parece seguir uma lógica informal e discriminatória baseada no sotaque ou na nacionalidade. Turistas de outros estados e estrangeiros afirmam que os valores apresentados são superiores aos cobrados dos moradores locais.
O assessor parlamentar João Henrique relatou que uma garrafa de água, antes vendida a R$ 4, chegou a custar R$ 12. Já a recepcionista Evelyn Dias confirmou a percepção de tabelas diferenciadas: "Quem é do Rio cobram um preço, quem é de outro estado é outro, quem é gringo é outro".
Estratégias de economia e denúncias nas redes
Para fugir dos preços salgados, alguns frequentadores adotam táticas de sobrevivência financeira. É o caso do pedreiro Genival Nunes, que prefere levar o próprio consumo de casa em "coolers" e sacolas cheias, após passar no supermercado. Outros tentam a sorte no diálogo; a cabeleireira Daiane França conseguiu reduzir o valor do aluguel da cadeira de R$ 30 para R$ 10 após uma negociação direta com o barraqueiro.
Nas redes sociais, a indignação ganhou tom de denúncia. Vídeos que circulam na internet mostram cobranças consideradas irreais pelos consumidores, como uma porção de aipim por R$ 80 ou camarão empanado por R$ 200 — valores muito superiores aos praticados em mercados e feiras de bairros como Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Casos de polícia e prisões na orla
O aumento do movimento nas praias cariocas veio acompanhado de práticas que ultrapassam o abuso comercial e configuram crime. Este ano, a polícia já efetuou prisões de vendedores envolvidos em golpes contra turistas. Entre os registros mais graves estão a cobrança de R$ 300 por dois milhos cozidos e uma caipirinha que custou mais de R$ 2 mil a um visitante.
Diante do risco de fraudes nas máquinas de cartão, turistas estrangeiros, como os argentinos que frequentam a orla, têm redobrado os cuidados. A orientação das autoridades é sempre exigir o comprovante de pagamento e conferir o valor digitado na máquina antes de aproximar ou inserir o cartão. A fiscalização promete intensificar as ações para coibir o que chamam de "golpe do turismo" durante a alta temporada.